Eles estão entre os SUVs mais vendidos no Brasil. Agora, se enfrentam para ver qual é o melhor 1.0 turbo da categoria Eu nunca fui muito fã de xadrez, mas sempre me impressionei com o fato de os jogadores precisarem pensar em várias jogadas futuras para, enfim, movimentar uma peça. Acredito que a indústria automotiva funcione de forma parecida. Para todo passo dado, são feitos muitos estudos da concorrência. Até porque o resultado precisa ser certeiro. No “tabuleiro” do mercado automotivo brasileiro, duas peças foram essenciais no segmento de SUVs em 2024: Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta.
Vamos ao contexto. No ano passado, o T-Cross foi o SUV mais vendido no país, com 83.997 emplacamentos. Já o Hyundai Creta ocupou a terceira posição do segmento, com 69.122 vendas.
Porém, a história muda quando se trata de varejo. Tirando da conta as vendas diretas, para empresas e locadoras, o Hyundai Creta foi o carro mais vendido do mercado, com 56.081 emplacamentos. E o T-Cross? Com 39.767 vendas, ficou em oitavo lugar.
Autoesporte, então, chamou os dois modelos para uma disputa. Mas nada de versões topo de linha. As escolhidas foram as intermediárias, que trazem motor 1.0 turboflex. Do T-Cross, a Comfortline, de R$ 171.490. Já do Creta, a N Line, com apelo esportivo e preço de R$ 187.590 — ou seja, diferença de R$ 16 mil. Agora, veremos quais serão as jogadas e quem será o vencedor.
T-Cross e Creta estão entre os SUVs favoritos dos brasileiros
Renato Durães/Autoesporte
O primeiro movimento tem a ver com mudanças. Em 2024, o T-Cross passou por sua primeira atualização desde o lançamento, em 2019. Com menos alterações do que o modelo europeu, o SUV perdeu os faróis de neblina, mas (finalmente) recebeu lanternas de LED interligadas por uma barra iluminada. O arranjo da peça principal, contudo, não mudou.
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Por outro lado, o Creta mudou bastante. Mesmo mantendo a plataforma da segunda geração, apresentada em 2021, o SUV trocou o visual polêmico por linhas mais modernas. Desenho de grade renovado, faróis de LED e lanternas interligadas fazem parte dessa nova cara. A versão N Line tem alguns detalhes exclusivos em comparação com o restante da linha, como o desenho das rodas de 17″ e o formato da grade.
Hyundai Creta ocupa a liderança entre os SUVs mais vendidos quando falamos em varejo, e rival T-Cross ocupa a oitava posição
Renato Durães/Autoesporte
O jogo avança. Em termos de tamanho, os SUVs compactos têm medidas próximas. O Hyundai Creta se destaca no comprimento de 4,33 metros, sendo 11 centímetros maior que o T-Cross. Ainda, são 1,79 m de largura, 1,63 m de altura e 2,61 m de entre-eixos, medidas que se refletem em um espaço agradável na segunda fileira. Eu tenho 1,60 m de altura, e o que chamou minha atenção foi o amplo espaço para as pernas. Ainda sim, duas pessoas viajam mais confortáveis por causa do espaço para os ombros. Além disso, o Creta N Line tem regalias para os passageiros, como uma porta USB-C e saídas de ar.
O T-Cross também conta com um bom espaço graças aos 2,65 m de entre-eixos, 4 centímetros a mais que o do Creta. As demais medidas são de 4,22 m de comprimento, 1,76 m de largura e 1,57 m de altura. Nos recursos, a oferta é similar à do Creta, com saídas de ar e duas entradas USB-C.
Hyundai Creta N Line 2025 oferece bom espaço para os ocupantes da segunda fileira
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Quanto ao volume do porta-malas, a diferença é considerável. O SUV da Volkswagen acomoda de 373 litros (com os bancos na inclinação mais confortável) a 420 l (com uma inclinação bem mais vertical). Já o Creta comporta 422 litros. Fato é que há um bom espaço para bagagens. Eu mesma viajei levando três malas médias e um saco de roupas e, ainda sim, com espaço de sobra.
A vida a bordo, atualmente, também é muito valorizada pelo público brasileiro. No xadrez, seria o equivalente à “dama”, uma das peças mais importantes do jogo. Comecemos pelo Hyundai Creta. O SUV compacto traz uma central multimídia de 10,25″ que tem como penalidade a conexão com Android Auto e Apple CarPlay apenas por fio. Minha experiência foi um pouco conturbada, pois o sistema não reconhecia meu celular, muito menos conectava o Android Auto. Portanto, fiquei cinco dias usando apenas Bluetooth para escutar músicas, sem a possibilidade de utilizar aplicativos como Waze/Google Maps na central.
Volkswagen T-Cross Comfortline também oferece bom espaço interno, mesmo com distância entre-eixos menor que a do Creta
Renato Durães/Autoesporte
Em contrapartida, um ponto alto do Creta é o acabamento bem resolvido, com diferentes texturas e bons encaixes. Entrando na seara dos equipamentos, o freio de estacionamento eletrônico com função Autohold (aquela que segura o carro quando você pisa mais fundo no pedal do freio) é uma mão na roda para quem vive no trânsito caótico de cidades grandes.
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Outro auxílio interessante é a projeção da imagem das câmeras instaladas nos retrovisores na tela da central multimídia quando o motorista aciona a seta. Durante o dia, achei a função eficiente, mas à noite ela perde um pouco a funcionalidade, porque não existe nenhum tipo de luz auxiliar para melhorar a iluminação. Ou seja, o motorista não consegue enxergar direito. Entretanto, o grande destaque é o teto solar, de série. Lembrando que estamos falando de um carro de R$ 187 mil, então alguns “luxos” são esperados.
Hyundai Creta N Line 2025 oferece central multimídia, mas conexão com Android Auto e Apple CarPlay ocorre apenas por fio
Renato Durães/Autoesporte
Ar-condicionado de duas zonas, carregador de celular por indução e duas portas USB-C deixam a vida de quem anda no Creta mais confortável. Em termos de recursos de assistência, há frenagem autônoma e assistente de faixa, mas não alerta de ponto cego.
Nessa disputa, o T-Cross é o jogador com acabamento mais simples e proposta sóbria. Mas, falando primeiro dos predicados, tem multimídia de 10,1″ muito simples de mexer, com conexão sem fio para os sistemas Android e Apple.
SUV da Hyundai traz de série o teto solar e impressiona pelo bom acabamento interno
Renato Durães/Autoesporte
O ar-condicionado é digital, mas de uma zona apenas, e há duas saídas USB-C. A lista também inclui carregador de celular por indução e câmera de ré. No entanto, o freio de estacionamento é por alavanca, não eletrônico. O volante com ajustes de altura e de profundidade, também disponíveis no Creta, ajuda a encontrar uma boa posição de dirigir — lembrando que as regulagens dos bancos são manuais nos dois SUVs.
A lista dos equipamentos traz frenagem autônoma de emergência e controle de cruzeiro adaptativo (ACC), que faz bastante diferença na direção. Porém, faltam outros recursos, como assistente de mudança de faixa e alerta de ponto cego.
Volkswagen T-Cross Comfortline 2025 oferece multimídia com conexão bluetooth para Android Auto e Apple CarPlay
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Embora o T-Cross seja mais barato, o teto solar é opcional e faz parte do pacote Sky View II, que inclui retrovisor eletrocrômico e sensor de chuva por R$ 7.550. Há ainda outro pacote, Design View, com bancos parcialmente de couro e painel escurecido, por R$ 3.190. Com eles, o preço do SUV sobe para R$ 182.230 — e aquela diferença de R$ 16 mil mencionada no início do texto cai para R$ 5.360. Xeque.
Teto solar panorâmico é um item opcional no Volkswagen T-Cross Comfortline
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Jogada de mestre
Começam as jogadas finais. Na comparação de cavalos (não os do tabuleiro, mas os de potência), o Volkswagen T-Cross supera o rival. Seu motor 1.0 turboflex tem 128 cv de potência e 20,4 kgfm de torque, e está associado a um câmbio automático de seis marchas, com o qual faz um bom casamento.
Volkswagen T-Cross é mais potente que o Hyundai Creta, e apesar do delay no pedal do acelerador tem uma direção leve
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O SUV surpreende pela dinâmica no trânsito, principalmente no ciclo urbano, que é seu habitat natural. Tem uma direção leve, mesmo com um delay notório no pedal do acelerador, e um conjunto de suspensão voltado para o conforto. Ao volante, entretanto, é perceptível uma rigidez, que reflete na boa estabilidade da carroceria.
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Na estrada, senti certa demora de entrega nas acelerações, ainda mais em ultrapassagens, quando é necessário forçar um pouco mais o carro. Contudo, o SUV tem boas respostas. Nos testes no Rota 127 Campo de Provas, o T-Cross foi de zero a 100 km/h em 11,5 segundos, consideráveis 0,7 s mais rápido que o concorrente, que cumpriu a prova em 12,2 s. Esse padrão se repetiu em todos os ensaios de aceleração.
Em nossos testes no Rota 127, o desempenho do T-Cross superou o do rival com zero a 100 km/h mais rápido
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Um ponto forte é o consumo. Também nos testes de Autoesporte, o T-Cross fez média de 9,8 km/l na cidade. Mas o que surpreendeu foi o consumo rodoviário: 17,8 km/l. Por outro lado, o Hyundai Creta não passou de 9 km/l no ciclo urbano e 14,7 km/l na estrada. É, o jogo vai se tornando mais equilibrado. Uma das razões para o Creta ficar atrás em desempenho e consumo é que seu motor 1.0 turboflex tem menos potência e torque. São 120 cv e 17,5 kgfm. Em função das novas regras de emissões do Proconve L8, o Creta 1.0 perdeu potência com gasolina, caindo de 120 cv para 115 cv. Vale dizer que essa versão tem apelo esportivo apenas no visual, então nada muda no desempenho.
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Hyundai Creta: veja preços na Tabela Fipe e pontos fortes do SUV
Seja como for, o conforto é um ponto alto no Creta, além da posição de dirigir elevada — eu, particularmente, gosto. Durante meu tempo com o SUV, senti demora nas respostas em retomadas de velocidades mais altas, como mostram os números no quadro a seguir. Os paddle shifts são legais para quem quiser sentir mais as trocas de marchas.
Creta N Line poderia vir equipado com motor 1.6 turbo de 193 cv, disponível apenas na versão topo de linha
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Já com o cronômetro se aproximando do fim e com poucas peças no tabuleiro, é importante falarmos sobre o bolso do consumidor. De início, a garantia: cinco anos para o Hyundai Creta e três para o Volkswagen T-Cross. No seguro, a diferença é pouca, mas o alemão tem apólices mais baratas em relação ao rival (vide tabela).
Quanto à manutenção, o Hyundai Creta é levemente mais amigo do bolso. E vale uma explicação: a jogada errada foi da Volkswagen, que oferece as três primeiras revisões grátis para o T-Cross, mas, para preservar a garantia, exige que o cliente faça a troca de alguns componentes e cobra à parte. Portanto, fazendo as contas, o consumidor vai pagar R$ 3.892 pelas cinco primeiras revisões, contra R$ 3.525 para o Creta.
O que mais impressionou, contudo, foram os preços das peças. A cesta do T-Cross totalizou pouco mais de R$ 10.500, já a do Creta ficou em (chocantes) R$ 21 mil — mais do que o dobro.
Nos dois SUVs, saídas de ar-condicionado traseiras e portas USB-C deixam a vida dos passageiros mais agradável
Renato Durães/Autoesporte
Última jogada
Já sem as torres, os bispos e parte dos peões, o clima fica mais tenso. O Hyundai Creta tem muitos pontos fortes, como a recente atualização no design e uma lista de equipamentos mais completa. Entretanto, com bons desempenho urbano e consumo, e tendo melhor custo/benefício para o consumidor, é o Volkswagen T-Cross que dá o xeque-mate.
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VENCEDOR: Volkswagen T-Cross
Volkswagen T-Cross Comfortline 2025 é o grande vencedor do comparativo com o Hyundai Creta N Line 2025
Renato Durães/Autoesporte
Na versão Comfortline, o Volkswagen T-Cross tem predicados como bom consumo e melhor desempenho urbano. Embora a garantia seja menor, tem o seguro levemente mais barato e uma cesta de peças (consideravelmente) mais acessível em relação à do rival. Fora a diferença de preço, mesmo com opcionais.
Seu bolso
*Seguro: O valor é uma média entre as cotações das principais seguradoras do país com base no perfil padrão de Autoesporte, sem bônus. O levantamento foi feito pela Minuto Seguros.
Teste
Dados da montadora
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